O que cai nas provas: português, RLM, informática e direito
Concursos públicos existem para os mais variados cargos, de nível fundamental a superior, e cada edital tem o seu próprio conjunto de matérias. Ainda assim, algumas disciplinas se repetem com tanta frequência que acabam formando um núcleo comum, cobrado em quase todos os certames. Conhecer esse núcleo ajuda o candidato a começar a estudar antes mesmo de o edital sair e a distribuir melhor o tempo entre as matérias.
Neste guia, reunimos as disciplinas mais recorrentes — língua portuguesa, raciocínio lógico-matemático, noções de informática e noções de direito — e explicamos o que costuma ser cobrado em cada uma. O objetivo é dar um panorama do que geralmente aparece nas provas objetivas. Vale um lembrete desde já: o conteúdo programático do edital oficial é sempre a fonte definitiva, e é por ele que a preparação deve ser guiada.
Língua portuguesa: a matéria quase universal
Português é, provavelmente, a disciplina mais presente em concursos. Aparece tanto em cargos de nível médio quanto em provas de alto nível, e costuma ter peso relevante na nota final. A boa notícia é que o conteúdo é razoavelmente estável de um concurso para outro, o que permite construir uma base que serve para vários certames.
Interpretação e compreensão de textos
A interpretação de texto costuma ser o tópico com maior número de questões. Aqui o candidato precisa entender o que o texto diz, identificar a ideia central e as secundárias, reconhecer o sentido de palavras no contexto, perceber relações de causa e consequência e distinguir fato de opinião. É uma habilidade que se desenvolve com prática de leitura atenta e com a resolução de muitas questões, mais do que com memorização de regras.
Gramática, ortografia e uso da língua
Do lado da gramática, alguns temas aparecem com regularidade. Vale organizar o estudo em torno deles:
- Ortografia e acentuação: grafia correta das palavras e emprego dos acentos segundo as regras vigentes.
- Classes de palavras: substantivo, adjetivo, verbo, pronome, conjunção e as demais, com atenção ao emprego de cada uma.
- Concordância verbal e nominal: ajuste entre o verbo e o sujeito e entre o nome e seus determinantes.
- Regência e crase: temas que caem muito e costumam gerar dúvidas até em quem já estuda há tempo.
- Pontuação: uso da vírgula, do ponto e vírgula e demais sinais, que muda o sentido da frase.
- Coesão e coerência: como as partes do texto se conectam por meio de conjunções, pronomes e outros elementos.
Uma estratégia comum é estudar a gramática já aplicada a textos e questões, em vez de decorar regras isoladas. Assim, ortografia, concordância e pontuação passam a ser vistas dentro do uso real da língua.
Raciocínio lógico-matemático: pensar com método
O raciocínio lógico-matemático, muitas vezes chamado de RLM, é outra disciplina bastante frequente. Ele avalia menos a memorização de fórmulas e mais a capacidade de raciocinar de forma organizada diante de um problema. Para quem tem receio de matemática, a notícia tranquilizadora é que boa parte das questões depende de método e treino, não de talento nato.
Entre os assuntos que costumam aparecer estão:
- Lógica proposicional: proposições, conectivos, tabelas-verdade, negações e equivalências, além de argumentos válidos.
- Sequências e raciocínio sequencial: identificar padrões em séries de números, letras ou figuras.
- Problemas de contagem e probabilidade: princípios de contagem, combinações e noções básicas de probabilidade.
- Matemática básica aplicada: porcentagem, regra de três, razões e proporções, juros simples e compostos.
- Análise de dados: leitura e interpretação de gráficos e tabelas, que se conecta com a interpretação de textos.
Por ser uma disciplina muito baseada em resolução de problemas, o RLM tende a responder bem ao estudo por questões. Resolver muitos exercícios, entender o erro quando ele acontece e refazer os tipos que geram mais dificuldade costuma render mais do que apenas assistir a explicações teóricas.
Noções de informática: o essencial do dia a dia digital
As noções de informática ganharam espaço porque o trabalho no serviço público é cada vez mais informatizado. A cobrança geralmente é de conhecimentos práticos e conceitos gerais, adequados ao uso cotidiano do computador e da internet. Um cuidado importante: os detalhes de versões de programas mudam com o tempo, e é o edital que indica em que se apoiar.
Pacote de aplicativos de escritório
Os programas de edição de texto, planilhas e apresentações estão entre os temas mais cobrados. Espera-se que o candidato conheça funções básicas e intermediárias: formatação, atalhos, fórmulas simples em planilhas, criação de apresentações e recursos de uso comum. Tanto os pacotes proprietários quanto as alternativas livres podem aparecer, dependendo do que o edital indicar.
Internet, redes e segurança da informação
Outro bloco recorrente reúne o funcionamento da internet e a segurança digital. Costumam ser cobrados:
- Navegadores e correio eletrônico: recursos, configurações e boas práticas de uso.
- Conceitos de redes: noções de internet, intranet e extranet.
- Segurança da informação: tipos de ameaças, como vírus e outros programas maliciosos, além de golpes digitais.
- Boas práticas de proteção: uso de senhas fortes, backup, atualização de programas e cuidados com dados pessoais.
A parte de segurança tem ganhado destaque nas provas, acompanhando a importância do tema no dia a dia dos órgãos públicos. Vale dedicar atenção aos conceitos, mesmo sem aprofundamento técnico excessivo.
Noções de direito: constitucional e administrativo
Para muitos cargos, especialmente os de nível superior e os das áreas administrativa, fiscal e jurídica, as noções de direito são decisivas. Duas áreas se destacam pela frequência: o direito constitucional e o direito administrativo. Elas estão diretamente ligadas ao funcionamento do Estado e à atuação do servidor público.
Direito constitucional
Em direito constitucional, o candidato costuma estudar a organização do Estado, a separação dos Poderes, os direitos e garantias fundamentais e os princípios que regem a Administração Pública. A Constituição Federal de 1988 é a base dessa disciplina, e certos dispositivos são tão cobrados que merecem leitura direta e repetida do texto.
Direito administrativo e os princípios do artigo 37
No direito administrativo, um tema aparece com destaque especial: os princípios expressos no artigo 37 da Constituição Federal de 1988, que orientam toda a Administração Pública, direta e indireta. São eles:
- Legalidade: o administrador só pode agir conforme a lei permite.
- Impessoalidade: a atuação deve buscar o interesse público, sem favorecimentos.
- Moralidade: a conduta deve seguir padrões éticos e de boa-fé.
- Publicidade: os atos públicos devem, em regra, ser transparentes e acessíveis.
- Eficiência: a Administração deve buscar bons resultados e bom uso dos recursos.
Além desses princípios, costumam ser cobrados temas como atos administrativos, poderes da Administração, licitações e contratos, serviços públicos e o regime dos servidores. Quem presta concursos com vínculo estatutário no âmbito federal, por exemplo, ainda encontra com frequência o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, tratado na Lei 8.112 de 1990. Como sempre, o edital dirá exatamente qual legislação será exigida.
Como priorizar o estudo pelo conteúdo programático
Saber quais disciplinas costumam cair é um bom ponto de partida, mas a preparação de verdade se organiza a partir do conteúdo programático do edital. É ele que lista, tópico a tópico, o que a banca pode cobrar — e é por ele que as prioridades devem ser definidas. Algumas orientações práticas ajudam nesse processo:
- Comece pelo edital, não pela apostila. Antes de estudar, transforme o conteúdo programático em uma lista de tópicos e use-a como esqueleto do plano.
- Observe o peso de cada disciplina. Quando o edital indica quantidade de questões ou pesos diferentes por matéria, isso sinaliza onde investir mais tempo.
- Considere as etapas eliminatórias. Uma disciplina com nota mínima obrigatória merece atenção mesmo que tenha poucas questões.
- Leve em conta o estilo da banca. Bancas diferentes cobram a mesma matéria de formas distintas, o que reforça a importância de resolver provas anteriores.
- Marque o que já domina. Sinalizar os tópicos conhecidos evita gastar tempo com o que já está seguro e ajuda a focar nas lacunas.
Enquanto o edital específico não sai, é possível adiantar o estudo justamente pelas disciplinas do núcleo comum, que têm alta chance de aparecer. Assim que o documento oficial é publicado, o candidato ajusta o plano ao conteúdo programático exato daquele concurso.
Conclusão: um núcleo comum e um mapa próprio
Em resumo, língua portuguesa, raciocínio lógico-matemático, noções de informática e noções de direito formam um conjunto que reaparece na maioria dos concursos, cada uma com temas relativamente previsíveis. Estudar esse núcleo com antecedência dá uma vantagem real de tempo. Ainda assim, nada substitui o conteúdo programático do edital: é ele que define, com precisão, o que será cobrado e com que peso. Use este panorama para começar e para se orientar, mas trate sempre o edital oficial como a palavra final sobre o que estudar.